» Como plantar árvores pode significar a demonstração de superioridade na arte da previsão e do planejamento.

Inglaterra, século sei lá qual (mas já faz um tempão, pode ter certeza).

Muitas são as razões pelas quais tenho particular apreço por esse país, mas hoje vamos nos concentrar em uma faceta da personalidade de seu povo: a ordem.

A preocupação com a ordem, muitas vezes traduzida na elaboração – e no cumprimento – de um bom planejamento, tem como consequência direta a contribuição para outro item: a permanência.

E, para ilustrar este conceito, acredito seja muito apropriado mencionar a tradicional Universidade de Oxford, uma respeitável senhora de quase mil anos.


“A preocupação com a ordem tem como consequência a contribuição para outro item: a permanência.”


Os elegantíssimos corredores dessa tão prestigiada universidade são o cenário para a história que contaremos agora.

– Harry Potter, Álvaro?

Não, mas a capacidade de prever o futuro nesse caso parece mesmo coisa de bruxo.

No livro Timeshifting, de Stephan Rechtschaffen, encontrei uma das mais belas histórias sobre ordem e, conforme anunciado no último Amplinews, apresento-a agora.

Recentemente (pensando em mil anos, ok?) o reitor desta instituição se viu diante de um problema. Todo o madeiramento – típico carvalho inglês – do teto de um grande salão estava comprometido, sendo a substituição assunto prioritário.

Havia, porém um grande dilema.

Em um mundo onde a preocupação ambiental aumenta a cada dia, o senhor reitor não causaria uma boa impressão às suas pupilas derrubando um monte de árvores para extrair madeira.

Por outro lado, devido ao caráter tradicional da universidade, colocar tudo abaixo e substituir o madeiramento por uma moderna estrutura metálica, por exemplo, descaracterizaria sua arquitetura clássica. Definitivamente, este não era o momento de optar por mais liberdade no trabalho e colocar em risco as futuras gravações de Harry Potter.

Imaginando que o teto não aguentaria muito tempo (só mais uns 200 anos, talvez?), o reitor tinha muita dificuldade de atinar com uma solução.

Até que um dia, revirando papéis amarelados perfeitos para disparar crises de rinite (uma rinite cheia de estilo, convenhamos, afinal, estamos em Oxford), nosso amigo reitor encontrou a salvação da sua pele.

Em um documento (muito) antigo, a construção do tal salão era exposta em detalhes e, ao mencionar as vigas do madeiramento, os registros apontavam para um bosque de carvalhos plantados nos arredores do campus com o específico fim de substituição de sua madeira quando essa necessidade se apresentasse a um futuro administrador da escola.

Futuro administrador? Bota futuro nisso. Sabe quanto tempo um carvalho leva para crescer e poder ser cortado? É muito tempo. O bosque, à época da substituição do madeiramento do salão, já tinha feito quinhentos aniversários.

Isso é planejamento ou o quê?

O reitor podia, agora, cortar as árvores que quisesse sem qualquer peso na consciência verde, já que o bosque em questão não era natural, mas especialmente cultivado para o uso de sua madeira – algo como as atuais plantações de eucalipto provendo celulose para a indústria do papel, só que com muuuito mais charme, diz aí…

Parte-me o coração saber que em minha estadia de um mês na ilha da rainha acabei não conseguindo conhecer a Universidade de Oxford ou o seu bosque de (hoje supostamente cotocos de) carvalhos.

Obs.: Claro que, para isso, certamente há solução, bastando que muitos queiram dar contribuições financeiras ao Amplitudo, permitindo-me ir novamente à Inglaterra atrás de algumas fotos. Prometo não decepcioná-los, amplituders!

:-)

Enquanto as fotos não vêm, fica para nós, mesmo sem o chá das cinco, a lição de ordem deste belíssimo planejamento de bolotas de uma instituição cujo tempo de existência supera o da maioria dos países do planeta.

E para quem não possui tanta simpatia pela chatíssima garoa inglesa (tão permanente quanto a Universidade de Oxford), no próximo Amplinews iremos à Suécia.

Na Europa é tudo pertinho mesmo…

À sua liberdade,

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Comentário (1)

  • Patrícia Responder

    “Errar é humano, mas quem planeja erra menos”

    7 de dezembro de 2017 at 08:24

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