» Como usar 11 meses do ano trabalhando para os outros e jogar fora o mês restante por total falta de organização.

Nada como um mês de férias. Mas, se pensarmos bem, o mês de férias é que pode ser um grande nada.

O sexto texto sagrado do Amplitudo se chama Tempo. Lá é apresentado o paradoxo do mês de férias de forma teórica e, assim como no último Amplinews, estamos aqui para oferecer um caso prático – e verídico – que sustente a teoria apresentada.

A história se passa com um colega de sala do MBA visivelmente entusiasmado devido ao iminente mês de férias de que desfrutaria no trabalho.

Como nosso curso não teria férias no mesmo período, pude acompanhar o caso de perto.


“Não entendo: uma pessoa se esforça mais pelos objetivos dos outros do que pelos seus próprios.”


Cabe aqui uma digressão preparatória.

Um cara bem amplitudiano chamado Stefan Sagmeister diz tirar um ano de folga a cada sete anos trabalhados. Ele denomina esse período de “ano sabático” e o utiliza para aprimorar seus conhecimentos, buscar novos caminhos, pensar na vida, essas coisas.

Em sua palestra no TED, Stefan diz que seu segundo ano sabático foi melhor que o primeiro, pois ele não cometeu o seguinte erro: achar que o ano sabático seria fantástico por si só sem um plano.

Certamente, nosso colega do MBA não viu essa palestra, podendo eu testemunhar sua saga de escoamento de tempo pelo grande ralo chamado desordem. Em outras palavras, um enorme desperdício de oportunidades por indisciplina.

– E o que pretende fazer? – pergunto eu, puxando assunto.

– Então… Em uma semana vou viajar (Porto Seguro), mas nas outras ainda não planejei nada – responde-me o colega.

Não quis ser chato e dizer ao rapaz algo como “já vi esse filme”, mas eis o que pensei: o entusiasmo vai ceder lugar a uma certa frustração quando ele perceber que o mês de férias chegou ao fim e ele não fez nada. Pior: ninguém, exceto ele mesmo, terá sido o responsável por isso.

Não deu outra. Na última semana o colega começa a se lamentar que as férias já estavam terminando e que ele acabou não fazendo nada do que tinha planejado (ele tinha planejado?). Acordou mais tarde todos os dias e blá blá blá.

Pois é, eu realmente já tinha visto esse filme.

O que mais me incomoda: o colega possuía algumas habilidades artísticas – música e desenho – às quais poderia ter se dedicado no sentido de realizar tudo o que sempre é deixado de lado por falta de tempo.

Eu mesmo o convidei para mexermos de alguma forma com música naquele período, mas nada. Foram mais fortes o poderoso elixir entorpecente resultado da combinação de televisão com redes sociais e o mês de férias foi embora em um piscar de olhos.

Sejamos sinceros: falta de tempo? Por que, então, quando há tempo, as coisas continuam não sendo feitas?

A única coisa que faltou – você há de concordar comigo – foi ordem. Se, quando está trabalhando, o rapaz acorda cedo todos os dias, por que não fez o mesmo no mês de férias?

E não pense você que eu aceitarei a débil justificativa “porque ele queria descansar”. Quem precisa de um mês para descansar? O mais estropiado dos seres humanos está razoavelmente refeito com dois ou três dias de um bom repouso.

É falta de ordem mesmo, de disciplina e, acima de tudo, falta de amor-próprio e de alguma lógica. Explico esses dois últimos propondo a seguinte reflexão final: se durante onze meses do ano nosso colega acorda cedo todos os dias e se dedica ferrenhamente ao seu trabalho – que nada mais é do que ajudar outras pessoas a alcançar os sonhos delas (o dono da empresa, por exemplo) – por que, exatamente, ela não possui o mesmo empenho quando se trata de esforçar-se para alcançar os próprios sonhos?

Obs.: Até hoje não consegui resposta satisfatória a essa pergunta e agradeço a qualquer amplituder que queira compartilhar comigo seu palpite.

Torço para que você possa aproveitar o seu tempo livre melhor que o nosso colega da história, talvez utilizando-o para pavimentar seu caminho rumo a mais liberdade no trabalho e com isso, ter ainda mais tempo livre.

E se a ideia de ordem e planejamento lhe agrada, prepare-se para o próximo Amplinews, pois citarei a mais bela história que conheço sobre esse assunto.

À sua liberdade,

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