» Como dar mancada com quem gosta de você, não esconder isso da pessoa e ainda achar que está fazendo tudo certo.

Inversão de valores é pouco para definir o que você está prestes a ler agora.

Certa vez encontrei-me com um amigo com quem já não mantinha contato há algum tempo. Por coincidência, o encontro se deu alguns dias após seu aniversário, pelo qual eu o havia cumprimentado, por e-mail, na data correta, sem, no entanto, receber qualquer resposta..

Qual não foi minha surpresa quando, ao perguntar se ele havia recebido o e-mail, ouvi-lo dizer que sim.

Claro que ele rapidamente se empenhou em justificar a razão de não me ter respondido, mas, sinceramente, seria melhor não ter dito nada.


“Algumas pessoas acreditam que o mundo é mais real dentro das redes sociais que fora delas.”


Para evitar atritos desnecessários no futuro caso eu o encontre novamente, atribuamos ao nosso amigo acima a fictícia alcunha de “Paulão”:

E aí, Paulão, você chegou a receber meu e-mail desejando os parabéns?

– Então, cara… Recebi sim… Mas não consegui responder…

Ah, sem problemas, Paulão, sei que é tudo muito corrido.

[a situação estava controlada, Paulão já possuía o perdão alheio e podia ter parado por aqui, mas não…]

– Pois é, cara, está corrido mesmo. Eu mal tive tempo de clicar em “curtir” em todos os comentários do Facebook!

Vamos analisar onde Paulão errou catastroficamente?

Pense comigo. Existe uma pessoa que lembra do seu aniversário e lhe envia um e-mail, redigido com dedicação, desejando-lhe mais uma feliz primavera.

Fato: se ela não fizesse algum esforço para se lembrar do seu aniversário, você não teria recebido o e-mail.

Por outro lado, no seu perfil do Facebook está assinalado que você faz aniversário no dia tal e, no tal dia, seus contatos são lembrados automaticamente pela máquina. No tempo de um clique, podem manifestar seus elaboradíssimos e extensos “valeu, mermão”, “sucessooo” ou, se estiverem muito a fim de digitar, podem mandar algo como “ficando mais véio, hein, maluco?”.

Fato: se o Facebook não dissesse para os seus contatos que você faz aniversário, possivelmente pouquíssimos se lembrariam da sua mísera existência.

Agora, pergunto: qual das duas situações indica um relacionamento mais profundo, desses aos quais valeria a pena você se dedicar um pouco mais: a enxurrada de cumprimentos-porque-a-máquina-lembrou ou aqueles que dedicaram tempo e atenção a cumprimentá-lo de forma personalizada?

Percebe a inversão? Paulão parece não assimilar que quantidade não é qualidade. E a modernidade, que nos trouxe as redes sociais, fez algumas pessoas acreditarem que o mundo é mais real dentro que fora delas.

Só que fica pior. Muito pior.

Paulão não apenas já havia trabalhado comigo, mas fora meu empregador e – palavras dele – devido à minha presença na empresa (até eu sair, é claro), muitas coisas antes descontroladas passaram a caminhar melhor.

Então, alguns anos depois, Paulão diz que precisa muito de mim e me convida para voltar oferecendo uma proposta salarial bastante razoável – e que até incluía mais liberdade no trabalho.

Vejamos. Se eu quisesse tanto restabelecer relações com uma pessoa, o que eu deveria fazer ao receber dela um e-mail? Deixá-la sem resposta? Não, isso é muito simples. Deveria deixá-la sem resposta e também dizer a ela que, enquanto eu não a respondia, fiquei igual um bobo clicando em um monte de “curtir” em várias mensagens genéricas.

Falta de tato, falta de sensibilidade, até mesmo de esperteza. Acima disso, falta de atenção à ponta Relacionamentos da Estrela Amplitudiana. Não deve ser à toa que a “Paulão Corporation” perdeu vários profissionais – e depois fechou de vez.

E, conforme prometido no último Amplinews, com esse exemplo bem curtido contamos a primeira das duas histórias com o objetivo de mostrar que conhecimento, sozinho, não é tudo.

Aguarde pela segunda, onde o prejuízo não foi causado aos relacionamentos, mas ao bolso mesmo.

À sua liberdade,

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