Os Tijolos - Família Conteúdo

Referência

1. Alusão, menção.

2. Relação que existe entre certas coisas.

Se vai copiar, então copie direito.

Para que o item autenticidade anteriormente discutido não seja mal compreendido, lembremos que é impossível viver sem referências. Quando crianças, por exemplo, não temos nada em que nos basear exceto o comportamento de nossos pais. Por isso, pais fumantes costumam produzir mais filhos fumantes do que pais não fumantes, mostrando por que a referência – o exemplo – é, tantas vezes, a origem ou a justificativa para uma determinada situação.

De imediato, isso nos permite constatar que as referências podem afetar o conteúdo. E por que elas o afetam tanto? Simples: parece que o ser humano tende a copiar os outros (e parece que ninguém sabe ao certo a razão disso).

Faça um bom esforço, feche os olhos e imagine que eu estou bocejando… Posso não ter esse poder através do texto (ainda mais se você não fechou os olhos e não fez o bom esforço, o que é muito provável), mas já aconteceu com você, certamente, de bocejar ao ver alguém fazendo o mesmo. Segundo cientistas, já foi provado em estudos que o bocejo é, de forma mal definida, “contagioso” e o que se tem pensado como a mais provável causa para tal fenômeno é a tendência do ser humano de imitar os outros.

Obs.: Você pode não acreditar, mas eu acabo de bocejar ao ler novamente esse trecho na revisão…

Saber ou não a razão não importa. A questão é ter consciência de que, se esta é a realidade, você terá que conviver com ela. E se as pessoas são influenciadas por suas referências, você será influenciado pelas suas.

Quanto a isso, você não tem escolha.

Você não tem escolha em virtude de uma ferramenta poderosíssima chamada inconsciente. Mesmo julgando que não sofrerá influência, você será influenciado, pois o inconsciente recebe informações sem as filtrar, julgar ou validar e a contínua exposição a qualquer coisa fará com que você absorva essa qualquer coisa de um jeito ou de outro.

Obs.: Sugiro que pesquise um pouco sobre o comportamento do inconsciente, pois é assunto do maior interesse.

Mas então, para auxiliar a falta de controle que você tem sobre o seu inconsciente, eis que se apresenta outra parte igualmente poderosa do seu belo cérebro: o consciente. Pense comigo: sabendo que não escapará de sofrer as influências externas – culpa do inconsciente – ao menos você pode, conscientemente, escolher a quê estará exposto.

Ou seja: quanto a isso, você tem escolha.

A união dessa exposição com o que você tem de “você mesmo” produzirá um resultado que, apesar de manter relação com o anterior (a referência), pode ser considerado algo novo, visto ser uma mescla única.

Vai aqui um convite à reflexão oportunista: já parou para pensar que, se eu não conhecer suas referências, mesmo que você as copie descaradamente ainda parecerá bastante autêntico para mim? Não nego que é uma estratégia pouco honesta e muito arriscada, mas é bom pensar a respeito, afinal, não é só você que pode fazer isso comigo; alguém pode fazer com você.

Boas referências são fundamentais, especialmente para pessoas com dificuldades de se mostrarem autênticas. Pode ser prêmio de consolação, mas ao buscar conscientemente boas referências, caso você fracasse em ser autêntico, ao menos produzirá uma cópia mais útil.

Não se trata de brincadeira. Pense que poderia ser pior: uma pessoa que não consegue ser autêntica e ainda possui péssimas referências…

Mas de tudo o que foi dito, o mais importante vem agora: imagine quando você for a referência. Consegue perceber o tamanho da responsabilidade?

Se já não for, um dia você bem poderá ser a referência de alguém, talvez de muita gente, talvez de toda uma geração. Por isso, buscar boas referências não está apenas ligado a um interesse particular seu. Trata-se de, no futuro, passar adiante esse bom exemplo (espero), transformando-se, você mesmo, na referência dos que virão depois.


Próximo Tijolo: Integridade.

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